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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Trovadorismo


Trovadorismo

01. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito das cantigas de amor.
ⓐ O ambiente é rural ou familiar.
ⓑ O trovador assume o eu lírico masculino: é o homem quem fala.
ⓒ Têm origem provençal.
ⓓ Expressam a "coita" amorosa do trovador, por amar uma dama inacessível.
ⓔ A mulher é um ser superior, normalmente pertencente a uma categoria social mais elevada que a do trovador.

02. Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é INCORRETO afirmar que:
ⓐ refletiu o pensamento da época, marcada pelo teocentrismo, o feudalismo e valores altamente moralistas.
ⓑ representou um claro apelo popular à arte, que passou a ser representada por setores mais baixos da sociedade.
ⓒ pode ser dividida em lírica e satírica.
ⓓ em boa parte de sua realização, teve influência provençal.
ⓔ as cantigas de amigo, apesar de escritas por trovadores, expressam o eu-lírico feminino.

03. Nas cantigas de amor,
ⓐ o trovador expressa um amor à mulher amada, encarando-a como um objeto acessível a seus anseios.
ⓑ o trovador velada ou abertamente ironiza personagens da época.
ⓒ o poeta pratica a vassalagem amorosa, pois, em postura platônica, expressa seu amor à mulher amada.
ⓓ o eu lírico é feminino, expressando a saudade da ausência do amado.
ⓔ existe a expressão de um sentimento feminino, apesar de serem escritas por homens.

04. Marque V para verdadeiro e F para falso, e em seguida aponte a alternativa que traz a sequência correta:

( ) As cantigas de mal dizer e de escárnio pertencem à lírica trovadoresca.
( ) As cantigas de amigo possuem um ambiente palaciano e o eu lírico é feminino, apesar de serem escritas por homem.
( ) As cantigas de amor possuem um ambiente palaciano e suas características principais são a vassalagem amorosa e a coita de amor.
( ) A canção da Ribeirinha iniciou o trovadorismo português.
( ) As cantigas de amigo, em geral, possuem um eu lírico feminino, apesar de serem escritas por homens. A temática principal, quase sempre, é o sofrimento da mulher pelo amado que partiu.
ⓐ F – F – V – V – V.
ⓑ F – V – V – F – V.
ⓒ V – F – V – V – F.
ⓓ F – F – F – V – V.
ⓔ V – F – V – F – F.

05. Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal:
ⓐ Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação entre poesia e a música.
ⓑ Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros.
ⓒ Nas cantigas de amor, há o reflexo do relacionamento entre o senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e extrema submissão.
ⓓ Nas cantigas de amigo, o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino.
ⓔ A influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas.

06. Assinale a alternativa incorreta:
ⓐ Na cantiga de amigo, o eu lírico feminino lamenta a ausência do amigo distante;
ⓑ Na cantiga de escárnio, a sátira é feita indiretamente e usam-se a ironia e as ambiguidades;
ⓒ Na cantiga de maldizer, o erotismo pode estar presente;
ⓓ Na cantiga de amor, o apelo erótico é purificado e ocorre a idealização do amor;
ⓔ Na cantiga de amigo, é raro o uso de refrão, assim como do paralelismo.

O texto abaixo serve como base para que se responda às questões de 07 a 10

A Prosa Portuguesa, que ensaia literariamente seu aparecimento em fins do século XIV e princípios do século seguinte, surge representada, neste primeira época, pelas novelas de cavalaria e pelos tratados doutrinais de caráter religioso; uma, literatura de ficção, importada; outra, literatura apologética e didática; aquela, mais importante do que esta, do ponto de vista estético: mas, ambas, produção anônima. Conquanto tenhamos notícia da existência de livros de cavalaria escritos em português, hoje perdidos e alguns esperando sair do ineditismo sepulcral das bibliotecas, dessa primeira época literária só podemos mencionar “A Demanda do Santo Graal”, pois o “Livro de José de Arimateia” permanece inédito na Torre do Tombo; do “Merlim”, bem como do “Tristão”, apenas se sabe terem existido na livraria do rei D. Duarte e a novela do “Amadis de Gaula” só a conhecemos através da versão espanhola de 1508, feita por Garci Ordóñez de Montalvo, não obstante pareça tratar-se de tradução decalcada sobre um original português.

“A Demanda do Santo Graal”, cujo autor revela consistir numa tradução de um original francês, não exprime com absoluta pureza os ideais da vida cortesã guerreira e sentimental da cavalaria medieval, pois a sua arquitetura e o seu espírito aparecem comprometidos por um simbolismo religioso heterodoxo (…). O fato de Galaaz – o cavaleiro eleito de Deus – recusar constantemente os combates cavaleirescos que põem à prova apenas a força pessoal e o fato de Lançarote – considerado a fina flor da cavalaria universal – não ter sido aceito na câmara do Santo Graal em virtude de seus amores clandestinos com a Rainha Genebra (mulher do rei Artur), revelam a intenção ascética do autor da novela a condenar a cavalaria pela cavalaria e reprovar pela base a galantaria palaciana.

Tal simbolismo não se revela no “Amadis de Gaula” (…) aqui. Amadis é o protótipo criado pela cavalaria medieval, o cavaleiro em pleno exercício de suas façanhas, liquidando monstros e malvados, tendo como fulcro de suas aventuras o objeto amado, e amando segundo o ritual e o espírito que vivificou as cortes da Europa feudalizada.”

(SPINA, Segismundo. Presença da Literatura Portuguesa. Vol. I, 3ª Edição, 1968, Difusão Europeia do Livro, São Paulo.)

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VOCABULÁRIO
Apologética – que encerra justificativa, defesa ou louvor a algo.
Heterodoxo – oposto aos ou desviado dos princípios doutrinários.
Ascética – prática de devoção e penitência.
Fulcro – suporte, apoio, amparo.
Ineditismo – não publicado ou impresso; nunca visto pela maioria das pessoas.
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07. O texto acima transcrito afirma que:
ⓐ é nos fins do século XIV e inícios do século XV que surgem as novelas de cavalaria e a prosa doutrinária.
ⓑ só a partir de fins do século XIV e início do seguinte é que podemos falar de prosa literária em Portugal.
ⓒ os tratados doutrinais de caráter religioso são literatura de ficção e as novelas de cavalaria são literatura apologética e didática.
ⓓ os tratados doutrinais de caráter religioso são importados, isto é, não têm origem portuguesa.
ⓔ não há simbologia religiosa na versão que conhecemos de A Demanda do Santo Graal.

08. Assinale a alternativa correta:
ⓐ além de os tratados religiosos e novelas de cavalaria não apresentarem valor literário, ambos são produções anônimas.
ⓑ esteticamente, a literatura apologética é mais importante do que as novelas de cavalaria.
ⓒ esteticamente, as novelas de cavalaria são mais importantes do que a literatura apologética e didática.
ⓓ autoria anônima é uma característica sempre presente nas primeiras obras literárias em prosa de qualquer literatura.
ⓔ nenhum tradutor de “A Demanda do Santo Graal” declara a nacionalidade dos originais.

09. De acordo com o texto, é correto afirmar que:
ⓐ muitos documentos em prosa das primeiras atividades literárias portuguesas estão inéditos, e outros estão perdidos.
ⓑ entre os documentos perdidos, encontra-se “José de Arimateia”.
ⓒ “José de Arimateia” e “Merlim” encontram-se inéditos na Torre do Tombo.
ⓓ “A Demanda do Santo Graal” permanece inédita na Torre do Tombo, por isso pode ser mencionada.
ⓔ “A Demanda do Santo Graal” reflete com fidelidade absoluta os ideais da vida cortesã, guerreira e sentimental da cavalaria medieval.

10. A única opção inteiramente correta é:
ⓐ “A Demanda do Santo Graal”, “José de Arimateia” e “Merlim” pertencem ao ciclo bretão.
ⓑ na biblioteca de D. Duarte havia uma cópia de “Merlim”, obra hoje perdida.
ⓒ o mais antigo exemplar conhecido da “Amadis de Gaula”, em português, data de 1508.
ⓓ nada, na versão espanhola de “Amadis de Gaula”, publicado por Garci Ordóñez de Montalvo, nos faz suspeitar da existência de um original português.
ⓔ "Amadis de Gaula" permanece inédito na Torre do Tombo.






GABARITO: 1A - 2B - 3C- 4A - 5A - 6E - 7B - 8C - 9A - 10B



2 comentários:

  1. Gostaria de saber porque a 7 não pode ser a resposta A?

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  2. Repare na introdução do texto:

    "A Prosa Portuguesa, que ensaia literariamente seu aparecimento em fins do século XIV e princípios do século seguinte, surge representada, neste primeira época, pelas novelas de cavalaria e pelos tratados doutrinais de caráter religioso".

    O autor afirma que a "Prosa Portuguesa" começou com "novelas de cavalaria" e obras de "caráter religioso", o que não significa dizer que tais obras surgiram naquele século. Em verdade, as novelas de cavalaria já existiam há muito, mas só nos séculos XIV e XV é que passaram a ser difundidas e consumidas em solo lusitano.

    Falou? Abração.

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